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Annie é completamente destemida: se mete nas maiores roubadas sem o menor receio, com aquela tranqüilidade de quem sabe que, aconteça o que acontecer, vai saber se virar. Talvez mais interessante, Annie não tem aquela habilidade nata feminina de dizer não, de mandar o cara passear, de lhe dar um pé na bunda. Estou acostumado a andar com mulheres que, quando são assediadas, despacham o cara no ato. Annie, ao contrário, se deixa infinitamente alugar. Algumas vezes, quando estava visivelmente desinteressada ou desesperada, eu ficava esperando sua saída, um toco, uma desculpa (Alexandre, a gente não tinha aquele troço pra ir daqui a quinze minutos?), essas coisas que mulher faz, e nada. Deve ser por isso que os brasileiros de Nova Orleans exploram a menina. Brasileiro é um povo sem vergonha mesmo.
Em cada lugar, Annie era imediatamente cercada por um enxame de machos no cio, tanto por ser mulher bonita dançando sozinha, quanto estrangeira e fonte potencial de dólares. E Annie animadamente dava papo pra todos e não rejeitava ninguém, até que percebiam que não arrancariam dela nem dinheiro nem beijos e iam buscar outras mulheres mais fáceis. Alguns, entretanto, não desistiram nunca e seguiram Annie pelas ruas de Havana até o último dia.
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Annie, Uma Brasileira
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4 comentários:
Esse final foi hilário. Estava esperando pra saber qual o defeito da moça...e morri de rir, imaginando a cena. Realmente é um fenômeno a sua amiga.
Mas ela não tem cara de brasileira, não.
mas existe isso de cara de brasileira? minha lilolo tem bem mais cara de gringa que ela e é brasileiríssima....
Existe sim, Alex. Do mesmo jeito que existe gente que tem cara de gringa, como a sua Lililó.
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