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Não gosto muito de visitar museus. Acho que museus são uma pasteurização da cultura, mostrando de forma segura e envidraçada, controlada e domesticada, algo que, por definição, é caótico e descontrolado. (...)
Os cubanos são tão barulhentos e extrovertidos que fazem os brasileiros parecerem quietos e pacíficos suíços. Raras foram as salas onde entrei e os funcionários sentavam em silêncio - talvez, brigados. Quase sempre, estavam conversando a altos brados, rindo, batendo papo, contando fofocas, felizes. Algumas vezes, almoçando sem cerimônias. Noutras, acreditem ou não, namorando: uma mulher com as pernas entre as pernas do homem, ele com as mãos nas coxas dela, cenas assim. Não vi beijos, mas deve ter sido falta de timing. (...)
Aquela força vital incontrolável dos funcionários cubanos, satisfazendo seus mais básicos instintos aos pés daqueles sagrados altares da arte, rindo e se abraçando, comendo e se bolinando, foi o perfeito antídoto à pasteurizada artificialidade do ambiente. Afinal, arte é vida.
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Antídoto ao Museu
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