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O governo costumava construir conjuntos habitacionais - pra lá de onde Trotsky perdeu as botas, horríveis, enormes, estéreis, parecendo ter sido projetados por um alemão oriental autista que estagiou com Oscar Niemeyer - mas agora, sem dinheiro dos russos, nem isso.
Se você quer sair da casa dos seus pais e morar sozinho, desista. Se você se casou e quer ir morar no seu cantinho com seu esposo, esqueça. Em Cuba, a família é como a Máfia: ninguém sai. Só morto. (...)
Chegamos num ponto da história em que mesmo os maiores inimigos de Fidel receiam sua morte: pelas esquinas de Havana, trocam-se cenários apocalípticos pós-Fidel como, em outros lugares, trocam-se fofocas sobre Angelina Jolie e Brad Pitt. Fica-se com a impressão de que a morte do Fidel trará nada mais nada menos que o fim da civilização. (...)
Em Roma Antiga, o poder dos patriarcas era absoluto e incontestável. Enquanto seu pai fosse vivo, mesmo que você tivesse cinqüenta anos e fosse senador, ele podia te matar - legalmente. Ninguém ficaria espantado de saber que, nessa sociedade, parricídio era mais comum que restaurante vegetariano na Califórnia. Para muitos homens ambiciosos, matar o pai era o primeiro e mais necessário passo na sua vida pública.
E eu fico pensando cá com meus botões qual deve ser a taxa de familicídio na Cuba de hoje. ¿Quantos jovens apaixonados não matariam sem hesitar uma avó gosmenta para viver juntos em seu ninho de amor? Chega a ser até romântico, um ato extremo que selaria a união dos pombinhos: matamos primeiro minha mãe ou a sua, ¿meu amor?
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Quem Casa Quer Casa
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