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Todos os jornais são editados pelo governo: o maior, o "Granma", é o informativo oficial do comitê central do Partido Comunista, oito pagininhas diárias em formato tablóide que todo mundo lê. Deixa eu contar uma coisa que vocês vão achar que é mentira, mas vá lá. Em Cuba, falta tudo; quando tem, é racionado; pra comprar além da sua quota, é caríssimo - inclusive papel higiênico. Já o "Granma", subsidiado pelo governo, é diário e baratíssimo (0,20 MN = R$ 0,02). Então - vocês já entenderam, ¿né? - os cubanos, literalmente, sério mesmo, não estou zoando, compram o "Granma" pra limpar o cu. Na foto ao lado, o banheiro da casa do meu amigo Cándido: o jornal pregado na parede não é o "Granma", mas seu irmão caçula, o "Juventud Rebelde".
A linha editorial do Granma, e da imprensa cubana de modo geral, está candidamente descrita nesse trecho do verbete "Periodismo" do Dicionário de La Literatura Cubana:
"El triunfo de La Revolución no sólo determinó la desaparición paulatina de los órganos de expresión de la burguesía, sino significó la irrupción de nuevas formas de encarar las tareas periodísticas y, por ende, eliminó de la prensa revolucionaria - expresión de los intereses de la clase proletaria en el poder - los falsos, insidiosos y desinformadores comentarios de las agencias de prensa del mundo capitalista, así como las crónicas rojas y sociales, los artículos y comentarios insulsos, las abundantes páginas destinadas a anuncios clasificados y comerciales, típicos de la sociedad de consumo y, lo que es más importante, el anticomunismo y las falacias de la llamada "libertad de expresión", proclamada como una de las bases de la democracia representativa. A la vez, la Revolución facilitó el surgimiento de una nueva tónica en la información, que ahora se basa en las cuestiones de más interés para nuestro pueblo, en las cuestiones que reflejen los avances y logros en los diversos campos del quehacer revolucionario: la defensa, la producción, la educación, los deportes, la cultura, las artes y todo tipo de nuevas tareas que la construcción del socialismo reclama de las masas trabajadoras. La difusión de las actividades del Partido - como guía del camino a seguir -, de la lucha ideológica, de las ideas marxistas-leninistas, así como la contribución al rescate de nuestros valores nacionales en las diversas esferas y la divulgación de los éxitos alcanzados por nuestra Revolución, tanto interna cuanto externamente, han sido también logros fundamentales de la prensa en el período revolucionario" (II, 774)

(...) Talvez vocês não tenham percebido a enorme ironia da situação. Se Cuba tivesse um povo largamente ignorante e semi-alfabetizado (como o brasileiro, por exemplo), pode até ser que engolissem tudo o que o governo diz. Entretanto, esse mesmo governo educou brilhantemente sua população no método científico, no materialismo dialético e no pensamento crítico. Ou seja, a prova de que a educação estatal funciona é justamente o fato de a população não acreditar na imprensa estatal.
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1 comentários:
Excelente esta crônica. Eu, profundo desconhecedor da história e da situação atual de Cuba (fica na Ásia, não?), estou adorando descobrir como é a vida daquele povo.
E, puts, é séria aquela história da moça que perguntou das vacas? Caceta!
Só não critico muito pois não sei se nos Estados Unidos eles comem sushi. Lá tem peixe?
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